A Crise de 1929 e a Grande
Depressão
Olá pessoal, estamos de volta para dar continuidade aos nossos posts sobre História Contemporânea e o tema dessa semana é: “Crise de 29”.
O ideal seria falar desses anos que vão do fim da
primeira guerra mundial ao início da segunda, como se nós não os tivéssemos
vividos, como se êles não significassem, para nós, tristezas, loucuras,
esperanças, misérias, insopitáveis indignações e, para os homens da nossa
idade, a perda irreparável dos melhores anos da vida. Verdadeiramente, o ideal
seria falar dêsse período incandescente como de anos que nos foram estranhos,
afastado de nossa existência, já perdido no passado, isto é, indiferente as
nossas paixões e às recriminações, mesmo as mais legitimas. Mas isso e um ideal
difícil de ser atingido. (BRAUDEL,
235)
A Crise
de 29 atingiu os EUA, estendendo-se em seguida a todo o mundo capitalista,
inclusive o Brasil. Além das graves consequências econômicas à crise financeira
alia-se a crise de superprodução. Apesar da descida dos preços, grande parte do
mercado agrícola e industrial não tem compradores. Milhares de empresas têm de
fechar, o desemprego aumenta brutalmente, provocando uma redução do poder de
compra e uma redução da procura.
A
rápida propagação da crise à Europa deveu-se, sobretudo à retirada de capitais,
uma vez que desde a I Guerra, os bancos americanos faziam importantes
investimentos na Europa e, além disso, concediam importantes empréstimos. Com a
eclosão da crise, os americanos procuram fazer regressar os seus capitais
provocando uma grande perturbação na Europa. Muitos bancos, sobretudo na
Áustria, Alemanha e na Inglaterra, faliram ou conheceram sérias dificuldades, o
mesmo aconteceu com as empresas que necessitavam de empréstimos bancários para
sobreviverem.
Praticamente
todos os países, da América do Norte, à Europa e ao Japão, da África à América
Latina, acabaram por ser afetados de uma forma ou de outra pela crise. O desemprego
atingiu em todo o mundo limites quase incalculáveis. Foi uma crise democrática,
pois nem uma classe social ficou de fora. As classes médias viram-se afetadas
pela multiplicação das falências no comércio, no artesanato e na indústria. A
própria burguesia foi afetada por numerosas falências. Os camponeses ficaram
arruinados e os operários no desemprego.
A
partir da queda de Wall Street, a contração econômica generalizou-se, acentuada
pela miséria social. A perda de confiança foi total e o entesouramento parecia
à única salvação. Nestas condições, nenhum dos mecanismos naturais da economia
liberal parecia permitir uma recuperação.
A crise
de 1929 foi à perturbação mais importante de um capitalismo que alcançara já um
elevado nível de concentração financeira e uma produtividade muito grande, mas
que não modificava o modo de distribuição dos rendimentos entre o capital e o
trabalho.
E como foi uma crise bem democrática o Brasil também
entrou na dança, e o estado de São Paulo foi quem mais sentiu os efeitos dessa
crise, pois este era o principal fornecedor de café dos países estrangeiros que
foram afetados por essa grande depressão financeira. O Brasil perdeu o seu
maior mercado consumidor, que eram os Estados Unidos. Enfraquecera-se, pois, o
Estado brasileiro no qual o governo federal depositava suas esperanças. Os
créditos internacionais foram suspensos. A política de valorização do café
entrou em colapso, afundando o restante da economia nacional.
Referências
BRAUDEL, Fernand. A falência da paz: 1918-1939.
Conferência pronunciada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
Universidade de São Paulo. Revista de História, São Paulo, n. 6, 1951.
VISENTINI,
P. As disputas com os novos projetos
estratégicos (1914-1945). In: VISENTINI, Paulo & PEREIRA,
Analúcia. História Mundial Contemporânea. (1776 -1991). Brasília: IBr, 2006
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