quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


 
A Crise de 1929 e a Grande Depressão






Olá pessoal, estamos de volta para dar continuidade aos nossos posts sobre História Contemporânea e o tema dessa semana é:  “Crise de 29”.
O ideal seria falar desses anos que vão do fim da primeira guerra mundial ao início da segunda, como se nós não os tivéssemos vividos, como se êles não significassem, para nós, tristezas, loucuras, esperanças, misérias, insopitáveis indignações e, para os homens da nossa idade, a perda irreparável dos melhores anos da vida. Verdadeiramente, o ideal seria falar dêsse período incandescente como de anos que nos foram estranhos, afastado de nossa existência, já perdido no passado, isto é, indiferente as nossas paixões e às recriminações, mesmo as mais legitimas. Mas isso e um ideal difícil de ser atingido.                  (BRAUDEL, 235)
 
A Crise de 29 atingiu os EUA, estendendo-se em seguida a todo o mundo capitalista, inclusive o Brasil. Além das graves consequências econômicas à crise financeira alia-se a crise de superprodução. Apesar da descida dos preços, grande parte do mercado agrícola e industrial não tem compradores. Milhares de empresas têm de fechar, o desemprego aumenta brutalmente, provocando uma redução do poder de compra e uma redução da procura.
A rápida propagação da crise à Europa deveu-se, sobretudo à retirada de capitais, uma vez que desde a I Guerra, os bancos americanos faziam importantes investimentos na Europa e, além disso, concediam importantes empréstimos. Com a eclosão da crise, os americanos procuram fazer regressar os seus capitais provocando uma grande perturbação na Europa. Muitos bancos, sobretudo na Áustria, Alemanha e na Inglaterra, faliram ou conheceram sérias dificuldades, o mesmo aconteceu com as empresas que necessitavam de empréstimos bancários para sobreviverem.
Praticamente todos os países, da América do Norte, à Europa e ao Japão, da África à América Latina, acabaram por ser afetados de uma forma ou de outra pela crise. O desemprego atingiu em todo o mundo limites quase incalculáveis. Foi uma crise democrática, pois nem uma classe social ficou de fora. As classes médias viram-se afetadas pela multiplicação das falências no comércio, no artesanato e na indústria. A própria burguesia foi afetada por numerosas falências. Os camponeses ficaram arruinados e os operários no desemprego.
A partir da queda de Wall Street, a contração econômica generalizou-se, acentuada pela miséria social. A perda de confiança foi total e o entesouramento parecia à única salvação. Nestas condições, nenhum dos mecanismos naturais da economia liberal parecia permitir uma recuperação.
A crise de 1929 foi à perturbação mais importante de um capitalismo que alcançara já um elevado nível de concentração financeira e uma produtividade muito grande, mas que não modificava o modo de distribuição dos rendimentos entre o capital e o trabalho.
E como foi uma crise bem democrática o Brasil também entrou na dança, e o estado de São Paulo foi quem mais sentiu os efeitos dessa crise, pois este era o principal fornecedor de café dos países estrangeiros que foram afetados por essa grande depressão financeira. O Brasil perdeu o seu maior mercado consumidor, que eram os Estados Unidos. Enfraquecera-se, pois, o Estado brasileiro no qual o governo federal depositava suas esperanças. Os créditos internacionais foram suspensos. A política de valorização do café entrou em colapso, afundando o restante da economia nacional.
 
 
Referências
 
BRAUDEL, Fernand. A falência da paz: 1918-1939. Conferência pronunciada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Revista de História, São Paulo, n. 6, 1951.
VISENTINI, P. As disputas com os novos projetos estratégicos (1914-1945). In: VISENTINI, Paulo & PEREIRA, Analúcia. História Mundial Contemporânea. (1776 -1991). Brasília: IBr, 2006
 
 

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